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28 de Janeiro de 2012

Terapia Assistida por Asininos (TAA)

A Asinoterapia ou Terapia Assistida por Asininos é uma prática equestre que utiliza o burro como instrumento terapêutico. Esta prática equestre recorre a um conjunto de técnicas de educação e de reeducação do indivíduo, com o objectivo de fazer com este ultrapasse, na medida do possível, danos sensoriais, motores, cognitivos, afectivos e/ou comportamentais.

A Asinoterapia possui 3 componentes chave. São eles: o terapeuta, o utente/paciente e o burro, como animal co-terapêuta,
A Terapia Assistida por Asininos engloba a técnica de Equitação Terapêutica, bem como a técnica de “Portage”, ambas abordadas em pormenor mais à frente neste texto.

O burro é actualmente um animal muito utilizado como co-terapêuta, graças às qualidades que possui, tais como: temperamento dócil, animal paciente, atento, curioso, inteligente, dotado de uma excelente memória, fisicamente robusto, estável a nível físico e emocional, movimentos lentos e seguros, nomeando apenas algumas qualidades do animal.

a) Objectivo da técnica de Asinoterapia
Proporcionar às pessoas com necessidades especiais um espaço de enriquecimento sensorial, de ocupação terapêutica e pedagógica do tempo livre.

b) Procedimentos em Asinoterapia
Existem questões importantes a ter em conta no processo de Asinoterapia. Assim:

• É fundamental conhecer os problemas específicos de cada criança com que se trabalha. Igualmente, é essencial conhecer profundamente o animal facilitador da relação reabilitadora, o burro, em todos os seus aspectos físicos e comportamentais. A confiança depositada no animal com que se trabalha deve ser total. É de salientar que entre os animais, tal como entre os humanos, não existem dois seres iguais, com o mesmo modo de se comportar, com a mesma percepção do meio envolvente, com a mesma forma de reagir aos estímulos externos, com capacidades iguais e as mesmas necessidades de atenção física e emocional, pelo que é importante que se aprenda a conhecer e a interagir com cada animal individualmente.

• Os exercícios práticos e dinâmicos devem favorecer: 1) A linguagem e a organização do processo de comunicação; 2) o melhoramento e aumento da comunicação verbal e especialmente não verbal; 3) o enriquecimento do vocabulário; 4) a construção correcta de frases; 5) o treino na articulação das palavras.

• A aquisição e/ou aprofundamento dos níveis de concentração e uma correcta canalização da atenção nas pessoas com necessidades especiais, faz-se em grande medida através da aposta em novas valências. Isto é, através do ensino e aquisição de novas aprendizagens, que no caso da Asinoterapia podem ser: 1) aprender os cuidados a ter com o animal; 2) aprender a reconhecer o animal pelas suas características externas, e.g., pêlo comprido/curto, castanho/preto, orelhas compridas, etc; 3) aprender a observar o comportamento do animal e a identificar algumas das suas emoções e estado físico, e.g., contente, triste, zangado, cansado, doente, etc.; 4) colaborar nas tarefas de maneio e higiene do burro; 5) reconhecer e aprender a utilizar os utensílios e acessórios que se utilizam no dia-a-dia com o burro, e.g., a cabeçada, a rédea, a escova, etc.

• É fundamental que o utente da técnica de Asinoterapia tenha a percepção da sua própria posição no espaço. Isto consegue-se através da realização de exercícios e jogos adaptados para o efeito, e.g., Equitação Terapêutica, Jogo da Psicomotricidade.

• Existe a necessidade de incutir a noção de responsabilidade, bem como, motivar a interacção social. Há que ter atenção especial em dois pontos fundamentais: 1) aumento da capacidade e do desejo de relacionamento e de interacção nas actividades de grupo; 2) estimular a criação de relações de amizade e o aumento das vivências afectivas.

• Como já se disse anteriormente, a Asinoterapia deve ser acompanhada por um terapeuta e/ou um psicólogo, que ajudará a integrar e a extrapolar para o quotidiano os momentos vividos pelo utente/paciente. Na relação triangular que se estabelece entre o terapeuta, o utente/paciente e o burro, procura-se desenvolver a expressividade relativa aos processos emotivos, cognitivos, relacionais e corporais que caracterizam a evolução global do indivíduo.


Equitação terapêutica
A Equitação Terapêutica baseia-se na implementação de uma série de actividades terapêuticas que usam o cavalo, e mais recentemente também o burro, numa abordagem interdisciplinar, em áreas tão diversas como a saúde, a educação e a equitação.
Tanto o cavalo como o burro têm o poder de influenciar, através dos seus movimentos, o desenvolvimento motor, cognitivo, psicológico e social nos praticantes desta modalidade.

a) Objectivos da Equitação Terapêutica
O principal objectivo da Equitação Terapêutica é promover o desenvolvimento biológico, psicológico e social nas pessoas com necessidades especiais, ou seja melhorar as suas funções neurológicas e sensoriais.
Nesta modalidade, o ensino das técnicas de equitação específicas, não é contemplado como um objectivo em si.
É importante que os utentes aprendam a perceber as suas potencialidades, pois isto permitir-lhes-á encarar as suas deficiências de forma mais positiva, fazendo com que vivam menos preocupados e mais felizes.

b) Destinatários da Equitação terapêutica
A Equitação Terapêutica revela-se um complemento terapêutico eficaz no tratamento de portadores das seguintes condições:

• Atrasos gerais no desenvolvimento neuropsicomotor.
• Atrasos mentais.
• Autismo.
• Desordens emocionais, que podem englobar, transtornos alimentares, toxicomanias, sóciopatias e psicomanias.
• Dificuldades de atenção, da fala, de aprendizagem e de comunicação.
• Distrofia muscular.
• Distúrbios visuais e/ou auditivos.
• Epilepsia.
• Esclerose múltipla.
• Espinha bífida.
• Hiperactividade.
• Paralisias, hemiplegias e amputações.
• Perda de mobilidade pela ocorrência de um AVC.
• Problemas de adaptação social.
• Reabilitação de acidentes.
• Reabilitação de estados de ansiedade, stress, e doenças psicossomáticas associadas tais como, a depressão e o luto.
• Síndrome de Down.
• Traumas craneo-encefálicos.


c) Benefícios da Equitação Terapêutica
Confiança – a Equitação Terapêutica permite o desenvolvimento de sentimentos de confiança, e consequentemente o aumento da auto-estima, relativamente às próprias habilidades de interacção e relacionamento afectivo com o animal. Em situação de equitação ou passeio permite a partilhar com o animal a superação dos obstáculos e das dificuldades sentidas.

Força – esta técnica permite o fortalecimento do tónus muscular, maior sensibilidade, relaxamento e flexibilidade muscular.

Equilíbrio – a Equitação Terapêutica contribui para corrigir a postura do corpo, permitindo o aumento do equilíbrio; conduz igualmente a uma tomada de consciência sobre o posicionamento do corpo no espaço.

Coordenação, Atenção e Memória – durante uma sessão de Equitação Terapêutica o utente tem necessidade de aplicar o que já aprendeu e de se concentrar em múltiplos aspectos, entre eles: 1) a posição do corpo; 2) o balanço do corpo; 3) o controlo das rédeas; 4) a condução do animal; 5) o piso onde o animal se move, etc. Por estas e outras razões, esta técnica permite o aumento do domínio sobre o próprio corpo.

Mobilidade – com a prática e o devido acompanhamento, o paciente passa a gozar de movimentos mais rápidos, livres e independentes e simultaneamente assiste-se a uma redução dos padrões anormais de movimento.

Prazer – a Equitação Terapêutica proporciona um contacto muito especial com o burro e a espontaneidade está sempre presente. Durante as sessões surgem com frequência momentos de grande ternura e diversão. Os benefícios desta técnica terapêutica traduzem-se no paciente, numa diminuição da tensão arterial, abaixamento da frequência cardíaca, relaxamento muscular, sentimento de realização, etc., ou seja, a essência de algo que se pode traduzir simplesmente por um sentimento de grande prazer.

d) Limitações da Equitação Terapêutica
Qualquer candidato a praticante de Equitação Terapêutica deverá primeiro ser avaliado por uma equipa de especialistas a fim de se definir a terapia mais adequada a cada situação. No caso da Equitação Terapêutica há que ter em conta que este tipo de terapia não é indicado para males tais como: 1) coluna instável; 2) tumor na coluna; 3) deslocamento do quadril ou das primeiras vértebras do pescoço; 4) vertigens; 5) medo incontornável; entre outros males.


A técnica de “Portage”

A técnica de “Portage” vem do francês “être portée”, traduzida como, “Deixar-se levar”. Através desta técnica pretende-se criar o ambiente e as condições ideais para o participante se deixar levar pelas suas sensações e emoções.,
É uma técnica muito utilizada por asinoterapeutas franceses, que recorrem a ela para induzir momentos de grande intimidade com o burro, que levam a uma sensação de relaxamento profundo no utente.

a) Procedimentos da técnica de “Portage”
Dois monitores colocam o utente em cima do burro.
Uma vez no dorso do animal, o utente experimenta, com a ajuda dos monitores, diferentes posições, que lhe permitem um contacto muito próximo com este. Criam-se assim momentos singularmente íntimos, que permitem ao utente atingir um elevado grau de descontracção e entrar num estado de consciência em que é mais fácil a compreensão de si mesmo.

O corpo do utente, em contacto com o corpo do animal, é massajado, embalado e aconchegado, através do calor que o animal emana e das suas movimentações corporais.

É de realçar que quando os utentes são deficientes severos esta técnica permite que estes recebam os estímulos sensorialmente, através do contacto com o corpo do animal, em que o calor emanado funciona como o principal canal de estimulação.

 

©2005 Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino
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