AEPGA

 

Burro de Miranda

O Burro, Equus asinus, acompanha o Homem desde os remotos tempos do Neolítico, tendo sido, segundo alguns autores, domesticado ainda antes do Cavalo. Em Portugal, assim como um pouco por todo mundo, este animal foi sistematicamente subestimado e esquecido, não tendo sido desenvolvido qualquer programa de preservação ou melhoramento. No entanto, as características do nosso mundo rural, nomeadamente nas regiões de interior, permitiram que o efetivo de asininos se tivesse mantido até aos dias de hoje. Foi precisamente na zona mais remota de Trás-os-Montes que se conservou uma das últimas variedades autóctones de asininos no território nacional: a Raça Asinina de Miranda.

À volta da ideia de preservação e proteção desta raça e dos asininos em geral, foi criada a 9 de maio de 2001, a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA). Para cumprir estes objetivos, tem-se dedicado à realização de estudos técnico-científicos que visem a preservação do património genético da raça, nomeadamente o estudo da consanguinidade, reconhecimento e recuperação de antigas características reprodutivas e de maneio da raça a médio-longo prazo; a selecionar, do ponto de vista genético e morfológico, os animais que possam vir a obter melhores descendentes, avaliar os reprodutores através das provas morfofuncionais; a sensibilizar e formar os criadores para obtenção de melhores exemplares da raça; a valorizar e dignificar esta raça como um excelente animal de companhia, como prestável animal de trabalho e de transporte; a promover uma variedade de eventos, revitalizando antigos costumes e incentivando os criadores para novas utilidades da raça que assegurem um futuro sustentável deste património genético.

Após a definição do Padrão da Raça, o Regulamento do Registo Zootécnico foi aprovado pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP), em 20 de junho de 2002.

Nesse mesmo ano, realizou-se o primeiro censo para apurar o efetivo do Burro de Miranda que apontou para a existência de cerca de 930 fêmeas e de 20 machos reprodutores, números que, de acordo com os critérios da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), colocavam o Burro de Miranda na lista de animais ameaçados de extinção. Tendo em conta que mais de metade dessas fêmeas não estava a criar, quer por terem ultrapassado a idade fértil, quer por vontade dos seus proprietários, o panorama era particularmente preocupante.

Neste momento, e de modo a auxiliar a reconstituição do historial da espécie e das condições que proporcionaram a origem desta raça autóctone, está a ser constituído um banco de DNA da raça, através da colheita de sangue para determinação do genótipo de todos os animais inscritos no Livro Genealógico, o que fornecerá informação relativa à paternidade dos atuais representantes da raça. A AEPGA está assim a proceder à identificação de todo o efetivo inscrito no Livro Genealógico da Raça através da implantação de um microchip que veio substituir os métodos de identificação usados habitualmente, com grandes vantagens em termos de capacidade de retenção de informação.

Refira-se que a sensibilização dos proprietários e, de certa forma, o estímulo pelo gosto e brio na seleção e maneio de asininos com estas características, são atividades de importância fulcral na salvaguarda deste recurso genético.