AEPGA

Tertúlia: Sinergias Rurais - Futuro da Natureza e Agricultura

31 Maio de 2026

 

As raças autóctones desempenham um papel fundamental na sustentabilidade do meio rural, constituindo um verdadeiro património genético, cultural e económico. Adaptadas ao longo de séculos às condições climáticas, ao relevo e aos recursos naturais locais, estas raças apresentam uma resistência natural a doenças, maior capacidade de aproveitamento de pastagens pobres e menor necessidade de insumos externos, contribuindo para sistemas produtivos mais equilibrados e resilientes.

No contexto português, exemplos como o Cão de Gado Transmontano, essencial na proteção dos rebanhos contra predadores, ou bovinos como a Raça Mirandesa, demonstram como estas raças estão profundamente ligadas às práticas tradicionais e à manutenção da paisagem rural. A sua utilização permite preservar o equilíbrio ecológico, evitar o abandono de terras e promover a biodiversidade.
Além da dimensão ambiental, as raças autóctones têm também um forte impacto económico e social. A valorização dos seus produtos — carne, lã ou serviços de proteção — cria oportunidades de rendimento para as comunidades locais e reforça a identidade cultural das regiões. Ao mesmo tempo, contribuem para a fixação das populações no território, combatendo a desertificação humana e promovendo um desenvolvimento rural sustentável.

É, também, na coexistência de comunidades humanas, raças autóctones domésticas, fauna selvagem e na qualidade das relações estabelecidas entre estes atores, que se reflete a riqueza de uma região. Perante os desafios intrínsecos à partilha do território, ao que se acrescenta a iminência das consequências das alterações climáticas, torna-se essencial estabelecer diálogos como ponto de partida para encontrar e desenvolver adaptações face aos novos desafios, que sejam viáveis e simultaneamente respeitadoras da riqueza que é esta partilha. Para tal, a colaboração e o trabalho conjunto, procurando encontrar o melhor equilíbrio possível para o bem-comum, do presente e do futuro, é uma necessidade. Assim, o percurso de valorização e preservação das raças autóctones, e do seu papel nas comunidades e ecossistemas tem sido possível graças à conjugação de esforços entre entidades dedicadas à defesa do património rural.

Destaca-se, neste contexto, a colaboração entre a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a ACCGT - Associação de Criadores de Cão de Gado Transmontano, e a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, cuja ação conjunta tem contribuído de forma decisiva para a promoção, proteção e reconhecimento das raças autóctones e do seu papel essencial na sustentabilidade do meio rural.

A partilha de conhecimento, a sensibilização das comunidades e o apoio direto aos criadores têm fortalecido a preservação destas raças e assegurado a continuidade das práticas tradicionais que sustentam o equilíbrio ecológico e social das regiões rurais.
Assim, proteger e valorizar as raças autóctones não é apenas preservar o passado, mas garantir o futuro do meio rural. O investimento na sua conservação, promoção e melhoramento representa uma estratégia essencial para assegurar a sustentabilidade ambiental, económica e cultural das regiões rurais.

Integrado na programação do Festival Observarribas