Notícias • 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones reforça importância do pastoreio extensivo na gestão sustentável do território
4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones reforça importância do pastoreio extensivo na gestão sustentável do território
Miranda do Douro acolheu, nos dias 4 e 5 de setembro, o 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones, uma iniciativa dedicada à valorização das raças autóctones, das pastagens e do pastoreio extensivo enquanto elementos fundamentais para a gestão sustentável do território e para a vitalidade das comunidades rurais.
Promovido pelo Município de Miranda do Douro e pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), com orientação técnica da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), o encontro reuniu criadores, pastores, investigadores, técnicos, associações e representantes de entidades públicas e privadas ligadas à agricultura, pecuária, conservação da natureza, investigação e desenvolvimento rural.
A iniciativa integrou as comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores 2026, proclamado pelas Nações Unidas, destacando o contributo dos pastores e dos animais em pastoreio para a conservação das pastagens, da biodiversidade e dos solos, bem como para a prevenção de incêndios rurais e a adaptação às alterações climáticas.
Raças autóctones: património vivo e responsabilidade partilhada
Ao longo dos dois dias foram debatidos os principais desafios e oportunidades associados à manutenção dos sistemas de pastoreio extensivo e à valorização das raças autóctones, tendo como ponto de partida as necessidades de quem vive e trabalha no território.
A sessão de abertura contou com a participação do vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, da chefe do Gabinete de Recursos Genéticos Animais da DGAV, Maria José Costa, do chefe de Divisão de Trás-os-Montes da CCDR Norte, Francisco Ribeiro, e do secretário técnico da raça asinina de Miranda, Miguel Nóvoa.
A importância das raças autóctones enquanto património genético, cultural, ambiental e produtivo esteve presente ao longo do encontro. Foi destacada a responsabilidade partilhada entre criadores, associações responsáveis pela gestão dos livros genealógicos e registos e Administração Pública na conservação das 64 raças autóctones portuguesas.
A continuidade deste património depende, contudo, da existência de condições que permitam aos produtores manter a sua atividade. Entre os principais desafios identificados está a menor rentabilidade de algumas produções de raças autóctones face a modelos de produção mais intensivos.
Neste contexto, foi defendida a necessidade de políticas públicas ajustadas às especificidades destes sistemas, que reconheçam não apenas o valor dos produtos, mas também os serviços ambientais e territoriais prestados pelos produtores e pastores. A valorização económica destas atividades é igualmente considerada essencial para assegurar a sua continuidade e favorecer a renovação geracional.

Pastoreio e prevenção de incêndios rurais
A relação entre o pastoreio extensivo e a prevenção de incêndios rurais constituiu um dos principais temas do programa.
A FERA – Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones apresentou uma reflexão sobre o papel das raças autóctones nas políticas públicas de gestão do território. Por sua vez, o projeto ASINIFIRE – Asininos na Prevenção de Incêndios para a Resiliência Ecológica, liderado pela Universidade Politécnica de Bragança (UPB), apresentou a experiência de utilização de asininos na gestão da vegetação e na redução da carga combustível.
A AEPGA deu também a conhecer o trabalho desenvolvido pela sua Brigada Florestal Asinina, demonstrando o potencial dos equídeos na gestão sustentável da paisagem, nomeadamente em áreas estratégicas e zonas de interface urbano-rural.
O pastoreio controlado foi apresentado como uma ferramenta complementar de gestão da vegetação, permitindo associar a redução da biomassa à manutenção das funções ecológicas das pastagens.
O encontro reforçou, assim, a necessidade de reconhecer o pastoreio não apenas pela sua dimensão produtiva, mas também pelos serviços que presta ao território, designadamente na manutenção da paisagem, conservação da biodiversidade, proteção dos solos e prevenção de incêndios.

Ciência e tecnologia ao serviço do território
A investigação e a inovação estiveram igualmente presentes no programa.
A Universidade Politécnica de Bragança (UPB) apresentou o trabalho “Do rebanho à nuvem: tecnologia ao serviço da silvopastorícia e das raças autóctones”, destacando o potencial da georreferenciação, dos sistemas de informação e de outras ferramentas digitais no acompanhamento dos animais e na gestão das áreas de pastoreio.
Foram ainda discutidas soluções destinadas a melhorar a comunicação e a capacidade de resposta dos produtores perante situações de risco. Entre as possibilidades identificadas está o desenvolvimento de ferramentas capazes de emitir alertas sobre incêndios, presença de predadores ou outras ocorrências relevantes.
A tecnologia foi, deste modo, enquadrada como uma ferramenta de apoio ao pastor e à gestão do território, facilitando o acesso à informação e contribuindo para uma resposta mais rápida e preventiva.

Coexistência com o lobo: respostas integradas para quem vive e trabalha no território
A coexistência entre a pecuária extensiva e o lobo-ibérico constituiu outro dos temas centrais do encontro e um dos assuntos que mais diretamente refletem os desafios enfrentados pelos produtores do Nordeste Transmontano.
No âmbito do projeto COEXISTIR – Reduzir conflitos, promover a convivência entre as comunidades rurais e o lobo no Nordeste Transmontano, desenvolvido pela AEPGA e pela Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, estão previstas um conjunto de medidas de prevenção e mitigação de conflitos, de apoio aos produtores e de reforço da proteção dos rebanhos.
Entre as ações previstas, destaca-se a disponibilização de 20 Cães de Gado Transmontano, com registo no Livro de Origem e rastreabilidade genética, e de 10 conjuntos de cercas elétricas reforçadas, complementadas por acompanhamento técnico às explorações. A intervenção procura responder às especificidades de cada exploração, considerando fatores como a dimensão dos rebanhos, o histórico de ocorrências e as características das propriedades. Pretende-se, assim, promover medidas preventivas adequadas a cada contexto, contribuindo para a redução dos conflitos e para a continuidade da atividade pecuária extensiva.

Foi igualmente identificada como prioridade a criação e o desenvolvimento de ferramentas preventivas de alerta para a proximidade de predadores, reforçando a capacidade dos produtores para antecipar situações de risco e adotar medidas de proteção dos rebanhos.
O projeto enquadra-se nas dimensões prioritárias estabelecidas pela Portaria n.º 247/2025/2, de 4 de abril, orientadas para a otimização da cogestão e para a implementação das medidas previstas nos Planos de Cogestão do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e do Parque Natural de Montesinho (PNM).
A abordagem do COEXISTIR assenta em cinco linhas de ação complementares: capacitação dos agentes do território; prevenção e mitigação de conflitos; criação de sinergias e parcerias; promoção dos produtos e do território; e restauro ecológico. Esta abordagem procura articular a conservação do lobo com as necessidades das comunidades rurais e contribuir para a concretização das prioridades definidas nos Planos de Cogestão do PNDI e do PNM.
Este enquadramento resulta também da participação da Palombar e da AEPGA nas Comissões de Cogestão do PNDI e do PNM, no âmbito do modelo de cogestão das áreas protegidas, coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Nestas estruturas, ambas as organizações representam o setor das organizações não governamentais de ambiente (ONGA) e entidades equiparadas, juntamente com a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), responsável pela eleição dos representantes deste setor.
A participação nestas estruturas permite contribuir para uma visão integrada do território e para a concretização dos seis eixos estratégicos da cogestão: valorização e salvaguarda do património natural; promoção da identidade local e das dinâmicas sociais; desenvolvimento rural e económico sustentável; investigação, desenvolvimento e inovação; sensibilização, formação e capacitação; e comunicação e promoção do território.
Neste contexto, as medidas dirigidas à coexistência com o lobo devem ser entendidas como parte de uma abordagem territorial mais abrangente, que envolve diferentes entidades e agentes e procura criar melhores condições para a continuidade da atividade pecuária extensiva e para a valorização dos territórios onde esta atividade se desenvolve.
A coexistência entre a conservação do lobo e a continuidade da pecuária extensiva exige, assim, uma abordagem integrada, preventiva e adaptada às características de cada exploração e de cada território, que tenha em consideração, de forma equilibrada, os objetivos de conservação da espécie e as necessidades e condições de quem vive e trabalha no território.

Economia circular: da lã ao solo
A economia circular foi outro dos temas abordados, através do projeto CIRCWOOL – Da lã à regeneração dos solos: economia circular ao serviço do pastoreio, apresentado pelo Centro de Ciência Viva – Plataforma de Ciência Aberta do Município de Figueira de Castelo Rodrigo.
O projeto explora o potencial da lã rústica como recurso para a regeneração dos solos agrícolas. Atualmente classificada como resíduo, a lã representa um desafio para muitos produtores, devido aos custos associados à tosquia e às dificuldades de valorização.
Segundo os dados apresentados no encontro, cerca de 98,9% da lã produzida no Nordeste e na Beira Interior fica atualmente sem aproveitamento.
A investigação procura avaliar características da lã, nomeadamente a sua capacidade de retenção de água e o seu potencial contributo para a melhoria das condições dos solos, abrindo novas possibilidades de utilização deste recurso.
A valorização da lã constitui, assim, um exemplo de como problemas concretos da atividade pecuária podem dar origem a soluções de inovação, sustentabilidade e criação de valor.

Valorizar os serviços prestados pelos pastores
A necessidade de reconhecer o valor económico, ambiental e social do pastoreio extensivo foi transversal ao encontro.
Para além da produção de alimentos, estes sistemas contribuem para a manutenção das paisagens, conservação da biodiversidade, proteção dos solos e redução da carga combustível. Estes contributos, entendidos como serviços de ecossistema, deverão ser mais claramente identificados, quantificados e considerados nas políticas públicas.
Foi, por isso, apontada a necessidade de desenvolver métodos simples de quantificação destes serviços, permitindo demonstrar os benefícios ambientais associados à atividade e criar melhores condições para o seu reconhecimento e valorização.
A valorização dos produtos das raças autóctones, o reconhecimento dos serviços de ecossistema, o reforço dos mecanismos de apoio e a formação foram identificados como dimensões fundamentais para garantir a sustentabilidade destes sistemas e a sua continuidade no território.

Prioridades para os próximos meses
O encontro procurou transformar a reflexão e a partilha de experiências em linhas concretas de trabalho. Entre as prioridades identificadas estão:
Promovido pelo Município de Miranda do Douro e pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), com orientação técnica da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), o encontro reuniu criadores, pastores, investigadores, técnicos, associações e representantes de entidades públicas e privadas ligadas à agricultura, pecuária, conservação da natureza, investigação e desenvolvimento rural.
A iniciativa integrou as comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores 2026, proclamado pelas Nações Unidas, destacando o contributo dos pastores e dos animais em pastoreio para a conservação das pastagens, da biodiversidade e dos solos, bem como para a prevenção de incêndios rurais e a adaptação às alterações climáticas.
Raças autóctones: património vivo e responsabilidade partilhada
Ao longo dos dois dias foram debatidos os principais desafios e oportunidades associados à manutenção dos sistemas de pastoreio extensivo e à valorização das raças autóctones, tendo como ponto de partida as necessidades de quem vive e trabalha no território.
A sessão de abertura contou com a participação do vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, da chefe do Gabinete de Recursos Genéticos Animais da DGAV, Maria José Costa, do chefe de Divisão de Trás-os-Montes da CCDR Norte, Francisco Ribeiro, e do secretário técnico da raça asinina de Miranda, Miguel Nóvoa.
A importância das raças autóctones enquanto património genético, cultural, ambiental e produtivo esteve presente ao longo do encontro. Foi destacada a responsabilidade partilhada entre criadores, associações responsáveis pela gestão dos livros genealógicos e registos e Administração Pública na conservação das 64 raças autóctones portuguesas.
A continuidade deste património depende, contudo, da existência de condições que permitam aos produtores manter a sua atividade. Entre os principais desafios identificados está a menor rentabilidade de algumas produções de raças autóctones face a modelos de produção mais intensivos.
Neste contexto, foi defendida a necessidade de políticas públicas ajustadas às especificidades destes sistemas, que reconheçam não apenas o valor dos produtos, mas também os serviços ambientais e territoriais prestados pelos produtores e pastores. A valorização económica destas atividades é igualmente considerada essencial para assegurar a sua continuidade e favorecer a renovação geracional.

Pastoreio e prevenção de incêndios rurais
A relação entre o pastoreio extensivo e a prevenção de incêndios rurais constituiu um dos principais temas do programa.
A FERA – Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones apresentou uma reflexão sobre o papel das raças autóctones nas políticas públicas de gestão do território. Por sua vez, o projeto ASINIFIRE – Asininos na Prevenção de Incêndios para a Resiliência Ecológica, liderado pela Universidade Politécnica de Bragança (UPB), apresentou a experiência de utilização de asininos na gestão da vegetação e na redução da carga combustível.
A AEPGA deu também a conhecer o trabalho desenvolvido pela sua Brigada Florestal Asinina, demonstrando o potencial dos equídeos na gestão sustentável da paisagem, nomeadamente em áreas estratégicas e zonas de interface urbano-rural.
O pastoreio controlado foi apresentado como uma ferramenta complementar de gestão da vegetação, permitindo associar a redução da biomassa à manutenção das funções ecológicas das pastagens.
O encontro reforçou, assim, a necessidade de reconhecer o pastoreio não apenas pela sua dimensão produtiva, mas também pelos serviços que presta ao território, designadamente na manutenção da paisagem, conservação da biodiversidade, proteção dos solos e prevenção de incêndios.

Ciência e tecnologia ao serviço do território
A investigação e a inovação estiveram igualmente presentes no programa.
A Universidade Politécnica de Bragança (UPB) apresentou o trabalho “Do rebanho à nuvem: tecnologia ao serviço da silvopastorícia e das raças autóctones”, destacando o potencial da georreferenciação, dos sistemas de informação e de outras ferramentas digitais no acompanhamento dos animais e na gestão das áreas de pastoreio.
Foram ainda discutidas soluções destinadas a melhorar a comunicação e a capacidade de resposta dos produtores perante situações de risco. Entre as possibilidades identificadas está o desenvolvimento de ferramentas capazes de emitir alertas sobre incêndios, presença de predadores ou outras ocorrências relevantes.
A tecnologia foi, deste modo, enquadrada como uma ferramenta de apoio ao pastor e à gestão do território, facilitando o acesso à informação e contribuindo para uma resposta mais rápida e preventiva.

Coexistência com o lobo: respostas integradas para quem vive e trabalha no território
A coexistência entre a pecuária extensiva e o lobo-ibérico constituiu outro dos temas centrais do encontro e um dos assuntos que mais diretamente refletem os desafios enfrentados pelos produtores do Nordeste Transmontano.
No âmbito do projeto COEXISTIR – Reduzir conflitos, promover a convivência entre as comunidades rurais e o lobo no Nordeste Transmontano, desenvolvido pela AEPGA e pela Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, estão previstas um conjunto de medidas de prevenção e mitigação de conflitos, de apoio aos produtores e de reforço da proteção dos rebanhos.
Entre as ações previstas, destaca-se a disponibilização de 20 Cães de Gado Transmontano, com registo no Livro de Origem e rastreabilidade genética, e de 10 conjuntos de cercas elétricas reforçadas, complementadas por acompanhamento técnico às explorações. A intervenção procura responder às especificidades de cada exploração, considerando fatores como a dimensão dos rebanhos, o histórico de ocorrências e as características das propriedades. Pretende-se, assim, promover medidas preventivas adequadas a cada contexto, contribuindo para a redução dos conflitos e para a continuidade da atividade pecuária extensiva.

Foi igualmente identificada como prioridade a criação e o desenvolvimento de ferramentas preventivas de alerta para a proximidade de predadores, reforçando a capacidade dos produtores para antecipar situações de risco e adotar medidas de proteção dos rebanhos.
O projeto enquadra-se nas dimensões prioritárias estabelecidas pela Portaria n.º 247/2025/2, de 4 de abril, orientadas para a otimização da cogestão e para a implementação das medidas previstas nos Planos de Cogestão do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e do Parque Natural de Montesinho (PNM).
A abordagem do COEXISTIR assenta em cinco linhas de ação complementares: capacitação dos agentes do território; prevenção e mitigação de conflitos; criação de sinergias e parcerias; promoção dos produtos e do território; e restauro ecológico. Esta abordagem procura articular a conservação do lobo com as necessidades das comunidades rurais e contribuir para a concretização das prioridades definidas nos Planos de Cogestão do PNDI e do PNM.
Este enquadramento resulta também da participação da Palombar e da AEPGA nas Comissões de Cogestão do PNDI e do PNM, no âmbito do modelo de cogestão das áreas protegidas, coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Nestas estruturas, ambas as organizações representam o setor das organizações não governamentais de ambiente (ONGA) e entidades equiparadas, juntamente com a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), responsável pela eleição dos representantes deste setor.
A participação nestas estruturas permite contribuir para uma visão integrada do território e para a concretização dos seis eixos estratégicos da cogestão: valorização e salvaguarda do património natural; promoção da identidade local e das dinâmicas sociais; desenvolvimento rural e económico sustentável; investigação, desenvolvimento e inovação; sensibilização, formação e capacitação; e comunicação e promoção do território.
Neste contexto, as medidas dirigidas à coexistência com o lobo devem ser entendidas como parte de uma abordagem territorial mais abrangente, que envolve diferentes entidades e agentes e procura criar melhores condições para a continuidade da atividade pecuária extensiva e para a valorização dos territórios onde esta atividade se desenvolve.
A coexistência entre a conservação do lobo e a continuidade da pecuária extensiva exige, assim, uma abordagem integrada, preventiva e adaptada às características de cada exploração e de cada território, que tenha em consideração, de forma equilibrada, os objetivos de conservação da espécie e as necessidades e condições de quem vive e trabalha no território.

Economia circular: da lã ao solo
A economia circular foi outro dos temas abordados, através do projeto CIRCWOOL – Da lã à regeneração dos solos: economia circular ao serviço do pastoreio, apresentado pelo Centro de Ciência Viva – Plataforma de Ciência Aberta do Município de Figueira de Castelo Rodrigo.
O projeto explora o potencial da lã rústica como recurso para a regeneração dos solos agrícolas. Atualmente classificada como resíduo, a lã representa um desafio para muitos produtores, devido aos custos associados à tosquia e às dificuldades de valorização.
Segundo os dados apresentados no encontro, cerca de 98,9% da lã produzida no Nordeste e na Beira Interior fica atualmente sem aproveitamento.
A investigação procura avaliar características da lã, nomeadamente a sua capacidade de retenção de água e o seu potencial contributo para a melhoria das condições dos solos, abrindo novas possibilidades de utilização deste recurso.
A valorização da lã constitui, assim, um exemplo de como problemas concretos da atividade pecuária podem dar origem a soluções de inovação, sustentabilidade e criação de valor.

Valorizar os serviços prestados pelos pastores
A necessidade de reconhecer o valor económico, ambiental e social do pastoreio extensivo foi transversal ao encontro.
Para além da produção de alimentos, estes sistemas contribuem para a manutenção das paisagens, conservação da biodiversidade, proteção dos solos e redução da carga combustível. Estes contributos, entendidos como serviços de ecossistema, deverão ser mais claramente identificados, quantificados e considerados nas políticas públicas.
Foi, por isso, apontada a necessidade de desenvolver métodos simples de quantificação destes serviços, permitindo demonstrar os benefícios ambientais associados à atividade e criar melhores condições para o seu reconhecimento e valorização.
A valorização dos produtos das raças autóctones, o reconhecimento dos serviços de ecossistema, o reforço dos mecanismos de apoio e a formação foram identificados como dimensões fundamentais para garantir a sustentabilidade destes sistemas e a sua continuidade no território.

Prioridades para os próximos meses
O encontro procurou transformar a reflexão e a partilha de experiências em linhas concretas de trabalho. Entre as prioridades identificadas estão:
- Reforçar os apoios ao pastoreio extensivo com raças autóctones, nomeadamente através de majorações para sistemas devidamente comprovados, incluindo por geolocalização;
- Desenvolver sistemas de alerta de proximidade do lobo, integrados nas ferramentas de monitorização do território, para reforçar a capacidade de prevenção e proteção dos rebanhos;
- Reforçar as medidas de prevenção e mitigação de conflitos, adaptando as soluções às características das explorações e articulando-as com os instrumentos de cogestão das áreas protegidas;
- Criar mecanismos simples de quantificação dos serviços de ecossistema prestados pelo pastoreio, designadamente na prevenção de incêndios, conservação dos solos, manutenção da biodiversidade e gestão da paisagem;
- Assinalar o Dia Nacional das Raças Autóctones, a 11 de novembro, promovendo a sensibilização para a importância deste património e para as políticas públicas dirigidas ao setor;
- Reforçar a presença de produtos de raças autóctones na alimentação pública, nomeadamente em cantinas escolares e instituições particulares de solidariedade social;
- Reforçar a formação e capacitação de jovens e profissionais do setor, incluindo a preparação de um curso de capacitação transfronteiriço para 2027, dedicado à utilização de equídeos na gestão da paisagem e dos espaços florestais.
Estas prioridades refletem a necessidade de aproximar as políticas públicas da realidade das explorações e de transformar o reconhecimento do valor do pastoreio em medidas concretas de apoio à atividade.

Formação e renovação geracional
A continuidade da pastorícia depende também da capacidade de atrair e fixar novas gerações no território.
O encontro destacou a importância do ensino e da formação profissional agrícola, criando condições para que os jovens que optam por permanecer nas áreas rurais e dar continuidade à atividade pastoril tenham acesso a conhecimento, capacitação e perspetivas de viabilidade económica.
A renovação geracional foi, assim, apresentada como uma questão transversal: conservar as raças autóctones implica também garantir a existência de pessoas e explorações capazes de assegurar a sua criação e maneio no território.
Neste contexto, a AEPGA reafirmou o compromisso de continuar a trabalhar em conjunto com associações de criadores, autarquias, ICNF, entidades públicas, comunidade científica e comunidades locais, valorizando o conhecimento de quem está no terreno e procurando contribuir para respostas mais eficazes aos desafios que afetam os produtores.

Um território com futuro
O 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones reforçou a importância das pastagens, das raças autóctones e do pastoreio extensivo na gestão sustentável dos territórios rurais.
Mais do que um espaço de apresentação de projetos e experiências, o encontro permitiu aproximar diferentes agentes e colocar em discussão problemas concretos que condicionam a atividade pastoril, como a rentabilidade das explorações, a renovação geracional, os conflitos com predadores, a valorização dos produtos e o reconhecimento dos serviços prestados ao território.
A reflexão desenvolvida em Miranda do Douro evidenciou a ligação entre a conservação da biodiversidade, a gestão da paisagem e a prevenção de incêndios e outros riscos rurais e a capacidade de manter pessoas e atividade económica no território.
Valorizar quem vive e trabalha no campo é, por isso, parte integrante da conservação do património natural e rural.
No Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, Miranda do Douro reafirmou-se como espaço de reflexão, partilha e ação em torno do futuro do mundo rural.
A AEPGA e o Município de Miranda do Douro reafirmam o compromisso de continuar a promover a valorização das raças autóctones, o apoio aos criadores e pastores, a conservação da biodiversidade e a gestão sustentável da paisagem, em articulação com entidades públicas, instituições científicas, associações e comunidades locais.
O encontro deixou uma ideia central: a conservação da natureza e a sustentabilidade das atividades rurais devem ser trabalhadas em conjunto, com os agentes do território e através de soluções concretas e mecanismos de cooperação capazes de responder aos desafios atuais e preparar o futuro.


Formação e renovação geracional
A continuidade da pastorícia depende também da capacidade de atrair e fixar novas gerações no território.
O encontro destacou a importância do ensino e da formação profissional agrícola, criando condições para que os jovens que optam por permanecer nas áreas rurais e dar continuidade à atividade pastoril tenham acesso a conhecimento, capacitação e perspetivas de viabilidade económica.
A renovação geracional foi, assim, apresentada como uma questão transversal: conservar as raças autóctones implica também garantir a existência de pessoas e explorações capazes de assegurar a sua criação e maneio no território.
Neste contexto, a AEPGA reafirmou o compromisso de continuar a trabalhar em conjunto com associações de criadores, autarquias, ICNF, entidades públicas, comunidade científica e comunidades locais, valorizando o conhecimento de quem está no terreno e procurando contribuir para respostas mais eficazes aos desafios que afetam os produtores.

Um território com futuro
O 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones reforçou a importância das pastagens, das raças autóctones e do pastoreio extensivo na gestão sustentável dos territórios rurais.
Mais do que um espaço de apresentação de projetos e experiências, o encontro permitiu aproximar diferentes agentes e colocar em discussão problemas concretos que condicionam a atividade pastoril, como a rentabilidade das explorações, a renovação geracional, os conflitos com predadores, a valorização dos produtos e o reconhecimento dos serviços prestados ao território.
A reflexão desenvolvida em Miranda do Douro evidenciou a ligação entre a conservação da biodiversidade, a gestão da paisagem e a prevenção de incêndios e outros riscos rurais e a capacidade de manter pessoas e atividade económica no território.
Valorizar quem vive e trabalha no campo é, por isso, parte integrante da conservação do património natural e rural.
No Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, Miranda do Douro reafirmou-se como espaço de reflexão, partilha e ação em torno do futuro do mundo rural.
A AEPGA e o Município de Miranda do Douro reafirmam o compromisso de continuar a promover a valorização das raças autóctones, o apoio aos criadores e pastores, a conservação da biodiversidade e a gestão sustentável da paisagem, em articulação com entidades públicas, instituições científicas, associações e comunidades locais.
O encontro deixou uma ideia central: a conservação da natureza e a sustentabilidade das atividades rurais devem ser trabalhadas em conjunto, com os agentes do território e através de soluções concretas e mecanismos de cooperação capazes de responder aos desafios atuais e preparar o futuro.


