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7.ª Feira do Naso reuniu criadores, pastores e comunidade em torno da valorização do Burro de Miranda e do território

O Recinto do Naso, na freguesia da Póvoa, em Miranda do Douro, recebeu, no dia 6 de setembro, a Feira do Naso – 7.º Concurso Nacional da Raça Asinina de Miranda, integrada nas festividades em honra de Nossa Senhora do Naso. O encontro voltou a afirmar-se como um espaço de valorização do Burro de Miranda, dos sistemas tradicionais de pastoreio e dos desafios que marcam o futuro dos territórios rurais.
 
Recuperando a tradição da antiga feira de gado, a Feira do Naso reuniu criadores, instituições, técnicos, pastores e comunidade num dia dedicado à valorização de uma das mais emblemáticas raças autóctones do território.
 
O 7.º Concurso Nacional da Raça Asinina de Miranda constituiu um dos momentos centrais da iniciativa, permitindo a avaliação e o reconhecimento dos exemplares apresentados, bem como do trabalho desenvolvido pelos criadores na conservação e no melhoramento da raça. A iniciativa voltou, assim, a destacar o Burro de Miranda enquanto património genético, cultural e ambiental e enquanto recurso com potencial relevante para os sistemas tradicionais de pastoreio e para a gestão sustentável da paisagem.
 
Ao longo do dia decorreram também o encontro informal de secretários técnicos dos Livros Genealógicos das Raças Autóctones, uma sessão dedicada à importância da avaliação morfofuncional no programa de conservação e melhoramento da raça, jogos tradicionais, mercado rural, animação musical e atividades dirigidas a diferentes gerações.
 
A sessão de esclarecimento «Burro de Miranda: Apoios, Pastoreio e Futuro» permitiu abordar questões particularmente relevantes para os criadores, nomeadamente as medidas de apoio, a integração do Burro de Miranda no pastoreio extensivo, a valorização dos serviços dos ecossistemas, a coexistência com o lobo e o desenvolvimento do projeto CeVIR – Centro de Valorização e Inovação Rural.
 
Dar voz a quem vive e trabalha no território
 
A realização da Feira do Naso aconteceu também num momento marcado pelas preocupações manifestadas pelos pastores do Planalto Mirandês relativamente aos ataques de lobo e às medidas que estão a ser implementadas para responder a esta realidade.
 
A manifestação dos pastores veio reforçar a importância de criar espaços de diálogo onde aqueles que vivem e trabalham diariamente no território possam apresentar as suas preocupações, reivindicar respostas e participar na construção de soluções para os problemas que enfrentam.
 
Mais do que colocar diferentes interesses em confronto, a discussão sobre o futuro do pastoreio, a conservação do lobo e a sustentabilidade das comunidades rurais exige escuta, diálogo e cooperação entre pastores, criadores, técnicos, instituições, entidades responsáveis pela conservação da natureza e comunidades locais.
 
Encontrar respostas para estes desafios implica reconhecer que a conservação da biodiversidade e a manutenção das atividades tradicionais podem – e devem – ser pensadas em conjunto. As soluções terão de procurar responder às necessidades de quem vive e trabalha no território, garantindo, simultaneamente, a conservação dos valores naturais que fazem parte da sua identidade.
 
Neste sentido, a Feira do Naso constituiu também uma oportunidade para reforçar a importância de uma abordagem integrada, assente no princípio de «Uma Só Saúde», reconhecendo a interdependência entre a saúde humana, a saúde animal, a saúde dos ecossistemas e o bem-estar das comunidades.
 
Um território vivo e com futuro
 
O almoço-convívio entre criadores, instituições e participantes reforçou o caráter de partilha e cooperação que tem marcado esta iniciativa, proporcionando um momento informal de encontro entre diferentes pessoas e entidades ligadas ao mundo rural.
 
A atuação do Grupo de Pauliteiras de Malhadas, a realização dos jogos tradicionais, o mercado rural e a animação ao longo do dia contribuíram igualmente para afirmar a Feira do Naso como um espaço de encontro entre tradição, cultura, atividade económica e valorização do território.
 
A 7.ª edição deixou, assim, uma mensagem que ultrapassa a celebração de uma raça autóctone. Valorizar o Burro de Miranda, o pastoreio extensivo, os criadores e os pastores é também valorizar as pessoas e os ecossistemas que dão vida ao território.
 
Num contexto de desafios cada vez mais complexos para as comunidades rurais, a existência de espaços de encontro, diálogo e participação assume particular importância. Expressar preocupações e reivindicar soluções de forma pacífica, procurando construir respostas em conjunto, pode contribuir para encontrar caminhos mais céleres, equilibrados e ajustados à realidade de quem vive e trabalha no território.
 
A Feira do Naso reafirmou, desta forma, a importância de continuar a criar pontes entre conhecimento, tradição, conservação da natureza e atividade rural, contribuindo para um território saudável e sustentável, onde as comunidades possam continuar a viver, trabalhar e construir o seu futuro.