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Azinhoso voltou a celebrar o Burro de Miranda e a homenagear os seus criadores

A aldeia do Azinhoso, no concelho de Mogadouro, voltou a ser ponto de encontro para criadores, técnicos, entidades e visitantes em torno da Raça Asinina de Miranda. A Feira do Azinhoso – 4.º Concurso Concelhio da Raça Asinina de Miranda realizou-se no domingo, 13 de setembro, recuperando uma tradição da aldeia e colocando novamente em destaque o Burro de Miranda e quem se dedica à sua criação.

Promovida pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) e pela Associação para a Investigação e Valorização Etnográfica e Cultural de Azinhoso (AIVECA), com o apoio do Município de Mogadouro e da Freguesia do Azinhoso, a iniciativa juntou durante um dia criadores, comunidade local e visitantes, num programa que cruzou património rural, cultura, conhecimento e convívio.

Desde as primeiras horas da manhã, a chegada dos criadores e dos seus animais marcou o início de um dia dedicado à raça e às pessoas que asseguram a sua continuidade. O 4.º Concurso Concelhio da Raça Asinina de Miranda foi um dos momentos centrais da programação, permitindo reconhecer o trabalho desenvolvido pelos criadores do concelho e acompanhar a evolução dos animais, nomeadamente no que diz respeito à seleção e ao melhoramento genético.

Reconhecer o trabalho dos criadores

Mais do que uma competição, o concurso serviu para dar visibilidade a uma atividade essencial à conservação de uma raça autóctone que faz parte do património genético e cultural da região.

Manter uma exploração de asininos representa hoje um desafio acrescido num território marcado pelo despovoamento, pelas alterações na atividade agrícola e pela transformação dos modos de vida tradicionais. Nesse contexto, o trabalho dos criadores assume um papel determinante na continuidade da Raça Asinina de Miranda e na transmissão dos conhecimentos associados à sua criação.

A programação incluiu também momentos dedicados ao bem-estar e à conservação da raça, bem como uma sessão de esclarecimento dirigida aos criadores. A iniciativa permitiu abordar práticas de maneio e criação que contribuem para garantir melhores condições aos animais e para assegurar uma gestão sustentável das explorações.

O conhecimento acumulado pelos criadores, aliado ao acompanhamento técnico, continua a ser uma das bases para a preservação da raça e para a manutenção de práticas que fazem parte da identidade rural do território.

Um dia de encontro e partilha

A Feira do Azinhoso não se limitou ao programa dedicado à Raça Asinina de Miranda. Ao longo do dia, a aldeia recebeu um conjunto de atividades que proporcionaram momentos de encontro entre a população, criadores e visitantes.

À hora do almoço, o convívio prosseguiu à mesa, com o almoço dedicado aos criadores. A refeição foi também um momento de conversa e partilha de histórias entre pessoas ligadas à criação dos animais e à vida da região.

Durante a tarde, o espetáculo Febre de Burro, de Rui Paixão, trouxe uma dimensão artística ao programa, seguindo-se a entrega dos prémios aos criadores e aos respetivos burros participantes no concurso.

A feira contou ainda com um Mercado Rural, que reuniu artesanato, produtos locais e iniciativas de associações de desenvolvimento local e regional. A presença destes expositores reforçou a ligação entre a preservação do património rural e a valorização dos recursos e saberes existentes no território.

Também os mais novos tiveram um espaço próprio, com uma oficina pedagógica dinamizada pela Comunidade de Aprendizagem Girasolo, proporcionando um momento de aprendizagem e experimentação dirigido às novas gerações.

Uma tradição que regressou com novos significados

A Feira do Azinhoso recupera uma tradição com raízes profundas na história da aldeia e do Nordeste Transmontano. A antiga Feira Anual do Azinhoso era um importante ponto de encontro das populações da região e tinha entre os seus principais atrativos a mostra e o comércio de asininos e equinos.

Com o despovoamento do interior e a mecanização da agricultura, a feira foi perdendo importância. Desde 2004, a AEPGA, em parceria com a AIVECA, o Município de Mogadouro e a Freguesia do Azinhoso, tem desenvolvido um trabalho de recuperação desta tradição, adaptando-a à realidade atual.

A edição de 2026 voltou a mostrar que a feira pode assumir diferentes dimensões: preservar a memória da comunidade, dar visibilidade ao património rural, promover o território e criar oportunidades de encontro e dinamização da economia local.

Ao colocar no centro da celebração o Burro de Miranda e, sobretudo, os homens e mulheres que continuam a assegurar a sua criação, a Feira do Azinhoso deu destaque não apenas a uma raça autóctone, mas também aos conhecimentos, às práticas e à relação com o território que lhe estão associados.

Entre a memória da antiga feira e a realidade atual do mundo rural, Azinhoso voltou assim a reunir uma comunidade em torno de uma raça que permanece ligada à identidade de Mogadouro e de todo o Nordeste Transmontano.