AEPGA

 

Formação para melhorar as barreiras verdes na paisagem rural

Entre os dias 11 e 14 de abril, a aldeia de Atenor recebeu mais uma formação integrada no ciclo dedicado à agricultura regenerativa, desta vez centrada nas Barreiras Vegetais Multifuncionais para Propriedades Rurais Resilientes, organizada pela AEPGA.

Ao longo de quatro dias intensos, participantes de diferentes áreas tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre o papel essencial das barreiras verdes na paisagem rural. Mais do que simples linhas de vegetação, estas estruturas revelaram-se ferramentas fundamentais para aumentar a resiliência dos territórios, contribuindo para a redução do stress térmico dos animais produzindo uma menor necessidade alimentar, maior sobrevivência das culturas protegidas, produção de madeira, fornecimento de néctar para polinizadores, criação de corredores ecológicos, melhoria da paisagem e valorização das propriedades. Destaca-se ainda o seu papel na redução da propagação do fogo e no apoio ao controlo de incêndios.

A formação, orientada por Bruno Nunes, do coletivo Ekógaio, combinou momentos teóricos e práticos. Durante o curso, os participantes exploraram temas como a escolha de espécies adaptadas, o desenho e orientação das linhas vegetais, a preparação do terreno e a sua manutenção, bem como a integração destas soluções em sistemas agroflorestais.

Um dos momentos centrais foi a implementação prática de uma barreira corta-vento no Centro de Valorização do Burro de Miranda, realizada com o envolvimento de todos os participantes, permitindo aplicar no terreno os conhecimentos adquiridos. Esta intervenção foi também pensada para desempenhar uma função complementar na gestão da água, ajudando a desviar o escoamento superficial do caminho onde foi instalada para os swales implementados no curso de gestão de água realizado em 2024.

No plano teórico, foram ainda abordadas várias estratégias de prevenção de incêndios, incluindo diferentes tipologias de corta-fogos (convencionais, com gestão de combustível e corta-fogos sombreados), bem como conceitos fundamentais como a importância da gestão das cristas na paisagem e a seleção de espécies vegetais com menor inflamabilidade e maior capacidade de resiliência ao fogo.

Dividido entre um módulo básico e um módulo avançado, o curso proporcionou uma aprendizagem progressiva e aplicada, reforçando competências essenciais para quem pretende implementar soluções sustentáveis no terreno. Foram dias de partilha, experimentação e reflexão, que reforçaram a importância de trabalhar com a natureza para construir paisagens mais resilientes, produtivas e equilibradas. Continuamos juntos e ativos no caminho da regeneração da paisagem rural!