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Valorizar a lã exige uma estratégia integrada

O mini-curso dedicado à classificação e valorização das lãs autóctones do Nordeste Transmontano realizou-se no passado dia 4 de setembro, no Centro de Formação Agrícola de Malhadas, na aldeia de Malhadas (Miranda do Douro). Integrado no contexto do 4º Encontro Ibérico de Raças Autóctones, a formação contou com a participação de 18 pessoas, entre participantes portugueses e espanhóis, promovendo um importante momento de partilha de conhecimentos, experiências e perspetivas sobre o potencial das lãs.

Ao longo da formação, os participantes tiveram oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre as características das fibras de lã e compreender de que forma parâmetros como a finura, o comprimento, a ondulação, a uniformidade, a limpeza e a cor influenciam a qualidade da matéria-prima e as suas possíveis utilizações. A análise das diferentes raças autóctones permitiu perceber que cada tipo de lã apresenta características próprias, que podem ser valorizadas de acordo com a aplicação pretendida, desde a produção de fios e tecidos até ao desenvolvimento de novos produtos.

Um dos principais temas abordados foi a necessidade de valorizar a lã enquanto recurso local, ultrapassando a sua perceção como simples subproduto da atividade pecuária. A sua valorização e transformação poderão contribuir para diversificar o rendimento das explorações e criar novas oportunidades económicas associadas ao território.

A qualidade da lã começa no próprio rebanho. Neste sentido, foi reforçada a importância de selecionar raças e animais capazes de produzir lã de acordo com o padrão de cada raça, uniforme e limpa, bem como de assegurar boas práticas de alimentação, saúde e maneio. Foram igualmente abordados os cuidados necessários durante a tosquia e a importância da correta classificação e conservação da lã após a tosquia, garantindo melhores condições para a sua comercialização e transformação.

A formação permitiu ainda refletir sobre o potencial da lã regional enquanto produto de origem, artesanal e sustentável, associado à identidade, à história e às raças autóctones do território. A ligação entre a matéria-prima e o território constitui uma oportunidade para desenvolver produtos diferenciados e de maior valor acrescentado, com potencial para chegar a novos mercados.

Neste contexto, ficou também expressa a opinião de que é necessário criar e reforçar medidas concretas de valorização da lã, garantindo melhores condições ao longo de toda a cadeia, desde a produção e a tosquia até à classificação, transformação e comercialização. O apoio técnico, a melhoria da qualidade da matéria-prima, o incentivo à transformação local e a criação de melhores condições de acesso ao mercado poderão ser determinantes para aumentar o valor da lã e, consequentemente, contribuir para o aumento do rendimento dos pastores e para a sustentabilidade da atividade ovina.

Mais do que preservar um conhecimento tradicional, o mini-curso procurou olhar para a lã transmontana numa perspetiva de futuro: conhecer melhor para valorizar melhor. A aposta na qualidade, na inovação, na transformação e na criação de produtos diferenciados poderá contribuir para dar uma nova vida à lã produzida na região, reforçando simultaneamente a valorização das raças autóctones e a diversificação da economia rural.

A realização desta iniciativa só foi possível graças ao contributo e colaboração de várias entidades. Fica um agradecimento especial ao Tiago Perloiro, em representação da ANCORME – Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Merino e do Centro de Competências da Lã, pela disponibilidade e generosidade na partilha do seu conhecimento e experiência ao longo da formação.

Um agradecimento é também dirigido à ACOM – Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa, por todo o apoio logístico e colaboração, fundamentais para levar a cabo este mini-curso no âmbito do Projeto CeVIR – Centro de Valorização e Inovação Social.

Esta ação reforça a importância do trabalho conjunto entre produtores, associações e entidades ligadas ao setor, contribuindo para valorizar os recursos endógenos, reforçar a identidade do território e criar novas oportunidades para as comunidades rurais.