AEPGA

 

Encontro de Cinema Rural e Ambiental - VIII Edição

23 de Outubro de 2026

 

Lhengua
Documentário | 2026 | 25 min
O mirandês é hoje ensinado nas escolas e reconhecido pelo Estado Português. Mas este percurso foi longo: perseguido, silenciado, sobreviveu nas bocas de quem insistiu em falar. O filme parte da viagem de José Leite de Vasconcelos, que no final do século XIX descreveu pela primeira vez esta língua, e chega à sala de aula contemporânea onde ela é transmitida a novas gerações. "Lhéngua", explora uma fala singular como janela para uma cosmovisão, um modo de estar no mundo que não separa o humano do território, nem a cultura da natureza.

No Fio da Navalha
Documentário | 2026 | 18 min
No Fio da Navalha acompanha Eliseu Fernandes na sua oficina e coloca o seu gesto em diálogo com a produção das unidades fabris da mesma aldeia (Palaçoulo), herdeiras do mesmo saber, mas orientadas por uma lógica de mercado. Ao colocar lado a lado a oficina artesanal e a linha de montagem fordista, o filme explora a tensão entre o saber ancestral e a produção industrial, questionando o lugar da identidade artesanal num mercado globalizado.

A Dansa dos Paulitos
Documentário | 2026 | 30 min
Em 1898, os Pauliteiros de Constantim atuaram pela primeira vez fora da Terra de Miranda, a convite da Sociedade de Geografia de Lisboa. Desde então, a dança dos paulitos percorreu Portugal e o mundo, tornou-se património nacional, símbolo regional e atração turística. As suas origens são disputadas e os mitos perpetuaram-se, sobretudo a partir do romantismo: vestígio de treino militar, eco de rituais pré-romanos... Durante séculos, a prática foi exclusivamente masculina, associada a ritos de passagem e a uma ideia de virilidade comunitária. Na década de 1940, António Maria Mourinho, etnógrafo e pároco local, fixou a dança e cristalizou um arquétipo: uma versão dos Pauliteiros que seria doravante a versão de referência. O Estado Novo encontrou nessa imagem arcaizante um símbolo útil à Política do Espírito de António Ferro. Hoje, a dança existe em dois registos: no palco, onde é exibida para o outro, e na festa do padroeiro da aldeia, onde é dançada entre conhecidos como gesto comunitário. Através de imagens de arquivo e de testemunhos de pauliteiros, ex-pauliteiros e dos novos grupos de mulheres que reconfiguram esta prática historicamente masculina, o filme acompanha uma dança que atravessou séculos. Entre a folclorização e a identidade vivida, entre o arquivo e o presente, questiona o lugar e o futuro dos Pauliteiros na Terra de Miranda.

Todos os filmes são realizados por Gonçalo Mota