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O burro encontra-se em extinção na generalidade do continente europeu, sendo que a raça asinina de Miranda não é exceção. A mecanização dos trabalhos agrícolas, o abandono do espaço rural e da agricultura de subsistência levou ao desaparecimento de importantes valores culturais e tradicionais. Na região de Trás-os-Montes há a acrescentar a forte emigração da população em idade ativa que se fez sentir sobretudo nos anos 60. Este facto conduziu ao envelhecimento da população, atualmente com uma média de idade bastante avançada, logo demasiado idosa para fazer a lavoura e para cuidar de um burro.

Há ainda a salientar fatores como a idade avançada das burras, que provoca uma diminuição da sua taxa de fertilidade; a fraca disponibilidade de machos reprodutores, atualmente em número muito reduzido, dado que são menos dóceis e próprios para o trabalho que os machos castrados; dificuldades no transporte de e para os locais/postos de cobrição; e por fim, a miscigenação de diferentes variedades de burros, perdendo-se as características que são específicas da raça asinina de Miranda.

Atualmente existem cerca de 850 fêmeas reprodutoras e 50 machos disponíveis, mas calcula-se que o número de animais com capacidade reprodutiva que possam vir a ser utilizados seja inferior.

Felizmente, o Burro de Miranda tem vindo a chegar a um número cada vez maior de pessoas, de norte a sul do país, e também além-fronteiras. O facto de se tratar de um animal muito bonito e dócil ajuda a cativar o público, que pode limitar-se a um contacto meramente sensorial, como é o caso de bebés e crianças, ou procurar obter mais informações, o que acontece frequentemente com jovens e adultos preocupados com a sua conservação. Ainda assim, o solar desta raça – que abrange os concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, no Planalto Mirandês - é sem dúvida um caso especial: é aqui que está a grande maioria dos criadores que, além de continuarem a utilizar o burro para os trabalhos agrícolas –percebendo-lhe assim a utilidade de uma forma mais imediata - têm uma ligação emocional e identitária com esta raça. Neste momento, o Burro de Miranda é um símbolo da região e, por isso mesmo, um motivo de orgulho para os habitantes locais, designadamente os jovens.